Por Dra. Cátia Pessanha – CRM 4101 ES
Vivemos um tempo em que as mulheres estão cada vez mais conscientes sobre seu corpo, seus planos e suas escolhas. E uma das conversas que mais têm surgido em meus atendimentos é sobre o congelamento de óvulos. Esse é um tema que desperta muitas dúvidas, inseguranças e, ao mesmo tempo, representa uma grande oportunidade de autonomia para quem deseja preservar sua fertilidade para o futuro.
Embora eu não realize esse procedimento em minha clínica, estou sempre disponível para conversar abertamente com minhas pacientes, esclarecer as principais questões e, quando necessário, orientar sobre os caminhos mais seguros e responsáveis para quem deseja considerar essa possibilidade. Afinal, informar é uma das formas mais poderosas de cuidar.
O que é o congelamento de óvulos?
Também chamado de criopreservação ovocitária, o congelamento de óvulos é uma técnica da medicina reprodutiva que permite que a mulher congele seus óvulos ainda saudáveis e viáveis, com o objetivo de usá-los mais tarde, quando quiser ou puder engravidar.
Funciona assim: a paciente passa por um estímulo hormonal controlado para que produza mais óvulos naquele ciclo. Esses óvulos são então coletados, analisados e congelados em nitrogênio líquido a baixíssimas temperaturas, podendo permanecer armazenados por anos.
Quando a mulher decide engravidar, os óvulos congelados podem ser descongelados, fertilizados em laboratório (geralmente com o sêmen de um parceiro ou doador) e o embrião resultante é transferido para o útero.
Por que tantas mulheres estão buscando isso?
Cada vez mais mulheres têm priorizado sua formação acadêmica, crescimento profissional e estabilidade emocional antes de pensar na maternidade. Ao mesmo tempo, o relógio biológico continua existindo, e é um fato que a fertilidade feminina diminui com o passar dos anos, especialmente após os 35.
O congelamento de óvulos surge então como uma estratégia de segurança: ele não garante uma gravidez futura, mas aumenta significativamente as chances, especialmente se os óvulos forem congelados enquanto a mulher ainda está em sua fase fértil.
Além disso, há também casos médicos que justificam essa decisão, como mulheres que irão passar por tratamentos oncológicos (como quimioterapia ou radioterapia) e desejam preservar sua fertilidade antes dos procedimentos.
O que é importante saber antes de tomar essa decisão?
Sempre digo que decisões importantes merecem informação de qualidade, tempo para reflexão e apoio profissional. Por isso, mesmo não realizando a criopreservação em minha clínica, me coloco à disposição para conversar com tranquilidade e responsabilidade com cada paciente que tem essa dúvida.
Alguns pontos que costumo destacar:
- O congelamento não é uma garantia de gravidez futura. É uma possibilidade, uma estratégia, não um seguro infalível.
- Quanto mais cedo for feito, melhores as chances. O ideal é congelar os óvulos ainda na casa dos 20 ou início dos 30 anos, quando eles têm melhor qualidade.
- O processo envolve hormônios e coleta cirúrgica. É necessário preparo, exames e acompanhamento médico rigoroso.
- É um investimento financeiro. Além do procedimento em si, há o custo de manutenção anual dos óvulos congelados.
- Pode trazer alívio emocional. Muitas mulheres relatam que o congelamento reduz a ansiedade ligada ao “prazo” da maternidade e permite tomar decisões com mais calma.
Meu papel como ginecologista: acolher, escutar, orientar
Na minha trajetória de mais de 40 anos atendendo mulheres, aprendi que a decisão de ser ou não mãe, e quando é profundamente individual e cheia de nuances. Por isso, reforço: não existe uma resposta certa para todas. Existe o que é certo para você, no seu momento, com a sua história.
Aqui na clínica, mesmo não oferecendo o congelamento de óvulos como procedimento, estou totalmente disponível para ouvir, acolher suas dúvidas e te ajudar a entender se essa é uma possibilidade que faz sentido para sua vida. E caso você deseje seguir com o processo, posso indicar clínicas sérias e profissionais especializados para garantir que você esteja bem acompanhada em todas as etapas.
Fertilidade, autonomia e o tempo da mulher
Estamos vivendo uma revolução silenciosa e linda: as mulheres estão assumindo o controle de suas escolhas, inclusive sobre seus próprios corpos. E o congelamento de óvulos é uma das ferramentas que essa nova era nos oferece.Mas é fundamental que tudo seja feito com consciência, responsabilidade e escuta profissional. Autonomia não é estar sozinha, é estar bem informada e amparada para tomar as decisões certas para si.
Se esse assunto tem rondado seus pensamentos, se você tem dúvidas sobre sua fertilidade ou sobre como se preparar para uma possível maternidade futura, venha conversar comigo. Será um prazer, e um compromisso te orientar nesse caminho.
Com carinho,
Dra. Cátia Pessanha
Ginecologista – CRM 4101 ES
